“Vocação, advocacia e o futuro da OAB-RN”
Publicado em 13.11.2009
Charles M. Phelan, advogado e escritor (charles.phelan@hotmail.com)
Uma das mais belas profissões é a advocacia. Não obstante as dificuldades, o vocacionado ama o que faz. Mas só o vocacionado.
Ser advogado requer paciência e força para além do normal. Impor seu respeito é o calvário maior. Não estando amparado pela máquina do Estado, fica a mercê de seu espírito guerreiro. Em sua marcha solitária, é seu talento e destemor que o fazem protrair o peito. Andar firme sem se render, ou fraquejar como vela ao vento, deve fazer parte de seu estoicismo genético.
O advogado guerreiro não se dobra a intimidações, descortesias ou ao desprestígio de ninguém. Ninguém. Há uma razão pelo qual assim deve agir: reside neste profissional mal-apreciado, uma vocação de proteger seu constituinte com tudo que lhe confere a lei. Nada mais faz no exercício de suas funções senão dedicar-se aos seus clientes. Não são incomuns as noites mal dormidas e inquietas, e não sabidas pelo cliente, que ficamos na busca de uma solução para certo problema.
Ainda assim, o apreço ao advogado tem decrescido.
Por vezes somos vítimas do velho adágio: "casa de ferreiro, espeto de pau." Protegemos outros, mas nos falta o devido cuidado de protegermos a própria classe.
Uma sociedade forte precisa de advogados fortes. E nós precisamos, para tal, de uma entidade de classe que nos fortifique e atue mais próximo do profissional militante e que lhe confira, sobretudo, o devido valor.
Em poucos meses ocorrerá eleição para presidência da nossa OAB. Neste pleito teremos a árdua tarefa de escolher alguém para ocupar a cadeira maior de nossa instituição. Alguém que nos faça estufar o peito e sentir que nos corredores dos fóruns, não só habita o advogado, mas que com ele, e em seus ombros, caminha a Ordem dos Advogados do Brasil, atenta na defesa das prerrogativas de nossa classe. Uma Ordem que valorize o advogado perante a sociedade e perante ele mesmo.
Por outro lado, a complexa profissão da advocacia não se limita à defesa de suas prerrogativas. O advogado precisa defender sua subsistência, sua moral. Precisamos de uma Ordem que estimule o crescimento profissional e que se preocupe, por exemplo, com uma tabela de referência de honorários digna e comensurável com a importância da profissão. Precisamos acordar e defender nossos interesses com vigor e diligência, análoga a que dispomos na defesa de nosso constituinte.
Sinto ares de renovação com a pré-candidatura da advogada Lúcia Jales à presidência da nossa seccional. Advogada militante e cúmplice nos sentimentos de que devemos instituir uma OAB mais atuante na valorização do advogado e atenta às prerrogativas da classe, Dra. Lúcia Jales parece disposta para o desafio. Por tudo isso, não temo estar bem representados com sua presidência no comando da OAB/RN.
Nesta bela profissão, não podemos ter medo de mudanças ou nos rendermos ao continuísmo. Amar o que faz, significa defender o que ama.
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